segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Outono...Inverno.

Ando...observando as folhas caindo à minha volta. Elas vão caindo sem que eu as toque. Como pode? Vou andando, observando meus passos. Estou andando corretamente. Nenhuma pedra a minha frente, já chequei. Mais uma vez. E as folhas...verdes, amarelas, de todas as cores. Caem, caem, caem. Já não vejo nenhuma das flores...Haviam tantas naquela primavera. Naquele começo. Lembro que tudo estava tão lindo...Porém, o clima ainda não estava muito quente. Só ficou depois, no Verão. Onde as flores viraram fogo. As cores se transformaram em vermelho sangue. Da cor de uma rosa vermelha. Amor.
Todos sabem que esse sentimento abstrato é exatamente assim. Frio. Flores. Calor. Decadência. Mais frio.
Chegou o Outono, e eu sinto sua falta...O inverno se aproxima, e não juntei comida suficiente durante o ano. Não tenho casacos. Sou uma infeliz cigarra. Observo a cada dia, o inverno se aproximando, e só sei cantar. "Carpe Diem", eu repito. Tudo o que eu consigo fazer é cantar.
As folhas caem...E um vento gélido atravessa o meu corpo nu...De repente, não existem mais flores. Não existem folhas. E onde está você? Se esquentando em outro lugar, eu suponho.
Inverno...Oh Inverno, passe logo. Não sei se aguentarei até a próxima Primavera.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

"00:03, 00:02, 00:01..."

Explosão. Sentimentos restantes e alguns destroços. É tudo o que restou. E são apenas espectros. Desejo. Ainda o sinto por aqui, correndo pelos meus vasos sanguíneos. Acho que é impossível expeli-lo por completo. Esse veneno. Talvez um dia. Sinto desejo. Não sei o que é Amor, não o sinto. Sei o que é desejo carnal, e até o sinto, mas não por você. Não só por você. Com você, não é só isso. Você. Quem és? A culpa disso é sua. Ou talvez minha. Quem sabe? Acho que não li as entrelinhas do contrato ao te conhecer. Que utopia a minha pensar que a caneta estaria nas minhas mãos. Pensar que fosse eu a autora dessa história. Eu queria uma máquina do tempo. Mas ainda não sei o que exatamente faria com ela. Eu poderia voltar para sexta à noite e desativar a bomba que destruiu meu coração, em milhões de pedacinhos minúsculos. Eu poderia voltar um pouco mais e saciar minha sede antes que eu me esqueça. Eu poderia voltar ainda mais e nunca ter te conhecido...Ou quem sabe ainda mais, e você nunca ter nascido. Raiva? Talvez. Mas apenas da primeira pessoa do singular. Ela é a unica culpada. A imbecil. Que se trancou dentro de si mesma. E deixou a chave nas mãos daquele sujeito, agora composto, com um predicado já definido.
Melhor ir dar uma volta, com meus velhos desejos carnais. Que bons amigos...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Amor, Veneno e Algumas Reticências.

Acho estranho. Esse tipo de substantivo abstrato que às vezes vagueia dentro de mim. Eu não estou acostumada a ele. Ou talvez eu esteja. Sempre estive. É uma mistura de todas as coisas. De todos os verbos. De todos os adjetivos, caracterizando esse sujeito simples. E a vontade de ser seu predicado um dia. E talvez eu até seja, e não sei disso. Não sei se no bom ou mal sentido, igualmente. A questão é que eu estou aqui, do outro lado da calçada. Se ninguém atravessar, continue andando. Se um de nós atravessar, olhe para os dois lados atentamente antes de o fazer. E talvez eu te alcance. Mas se os dois atravessarem, eu receio ter que dizer que isso não acabará bem. Tendo um final trágico como o de Romeu e Julieta...Por um motivo tão simples, se você pensar direito. Um pouco de veneno. Ninguém os obrigou a bebe-lo. Apenas o amor. E que amor é esse? Seria ele ilusório? Sei que não é o que sinto. Nem nada do que já senti antes. Não beberia jamais. Me apetece mais do que uma simples vírgula quando se trata de você, e isso me assusta. Quero reticências, e um novo capítulo. Quem sabe um Volume Dois? Quero uma continuação constante. Acho que seria suficiente. Eu gosto de proferir a palavra "eternamente". Mesmo que isso não signifique que algo será mesmo para sempre. Pelo menos, foi a ênfase que se quis causar naquela fração de segundo. Coisas do momento. Intenções. Não sei o que é amor, exatamente. Nem o que sinto, como já disse. Mas posso dizer que deve ser algo relativamente forte. Intenso. Se não é, não vejo outra explicação para você ser tudo que preenche os meus pensamentos distraídos. Se você é a chuva que cai lá fora. Se você é a lua cheia, que eu observo sob a janela de vidro do meu quarto escuro. Se sua imagem é tudo que vejo quando fecho os olhos ultimamente. Eu tenho medo desse tipo de sentimento. Desse romantismo. Romance cega as pessoas, levam elas a fazer coisas inusitadas. Loucuras. As prendem à algo incerto. Prendem mesmo, com cadeado e tudo mais. E a chave? Onde ela está? Você depositou-a nas mãos da pessoa errada. Nas mãos da pessoa certa. Da certa pessoa. Daquele sujeito simples. Só ele pode te libertar.