domingo, 4 de março de 2012

(Des)Encontros.

- Você é como uma estrela no céu. - As pessoas dizem para os seus amores. - Você é linda. E o seu brilho ilumina e reflete a beleza mais pura dentro dos meus olhos. Minha estrela, dentre tantas outras, você é a que eu observo. De longe, com atenção. Te encaro para que não te perca de vista, pois se eu vir qualquer sinal de que possas cair, o primeiro desejo que farei será para que você caia na palma das minhas mãos, para que eu cuide de você. Estrela...minha estrela, dentre outras tantas.
- Você é como uma estrela no céu. - O meu amor diz para mim, e com um beijo, se despede.
E eu penso...Se sou uma estrela, sou qualquer uma. Se não fosse, seria o Sol. Se sou uma estrela, você não sabe onde estou, o meu brilho não diz nada. Posso estar longe, posso estar perto, e você nunca saberá. E se eu sou mesmo uma estrela, você nunca me verá como eu realmente sou. Você nunca terá o meu brilho no momento em que brilho por você. Você vê o passado, não o presente. Pois esse meu brilho viaja à uma velocidade de 300.000 km/s, e eu moro longe, você sabe...Cansei de só ser reconhecida depois. Por que não podem dar valor ao brilho no momento em que os emitimos? A resposta é simples: Porque eles não vêm. Então não me diga que sou sua estrela. Porque se sou, você me olha, e eu posso nem mais existir. E o que você vê é o que restou de mim. Se estou no céu, e você no chão, significa que eu é que sou a iludida nessa linda história de amor. Eu é que sonho, sou eu quem voa alto. Eu é que sou a que posso cair e me machucar. E você vai poder observar cada segundo, ai do chão firme, de camarote. Eu, sendo a que ama mais, um grande espetáculo. Então não me diga que sou sua estrela. Porque não sou, não serei mais.
- Então, adeus. - Sussurrou a menina, e ficou parada, inerte. Observando o seu amor indo embora. Ela já sabia o que isso significava, não era uma tola. Já havia sido a estrela de alguém, e já conhecia a dor de ser uma estrela cadente. Aquela que o mundo diz ser tão linda. Mas que de linda, não tem nada. É apenas dor, e nada mais. Ela não queria ser estrela, e decidiu que não seria. Então deu uma ultima olhada naquele cujo os lábios ela ainda podia sentir, e então olhou para a direção oposta. Fitou-a por alguns segundos e sentiu que seria mais seguro. Arriscou alguns passos. E então fugiu antes que fosse tarde demais.

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