sábado, 29 de outubro de 2011
Esquecer é Foda.
As luzes piscavam. E ela perdia os seus sentidos. A fumaça parecia entrar dentro dela. E a música e o álcool poderiam ser tudo que ocupava sua mente naquele momento. A luzes piscavam e ela tentava achar um caminho por entre as pessoas que se batiam nela, sem saber exatamente para onde iriam. Suas roupas, molhadas com a bebida de alguém, meio tronchas. E ela também conseguia ouvir sussurros de homens que passavam por ela, mas não entendia uma palavra. Sentiu algo queimar nas suas costas, uma dor intensa, aguda e quente. Cigarro de alguém. Ela podia sentir o cheiro se misturando com os odores daquele lugar. Porque ela estava ali mesmo? Ela lembrava que viera na intensão de esquecer os seus problemas, se divertir por uma noite, fazer loucuras e tirar um certo alguém de sua cabeça. Tal alguém que ainda vagava pela sua mente, não desapareceu nem por um segundo, mas ela tentava. Tentava substituindo aquele olhos negros por música alta. Aquele sorriso lindo por muito álcool. Aquela boca carnuda pelo beijo de outro alguém. Parecia impossível, mas não era, não. Esquecer momentâneamente é fácil, mas não é exatamente esquecer. Você simplesmente se permite se divertir e trocar as prioridades do seus pensamentos por algumas horas. Não dura muito, mas você se diverte pra caralho. O começo é a melhor parte, você ainda está meio sóbria e decidida a esquecer de tudo, mandar o mundo todo ir se foder e ter o tempo da sua vida em uma só noite. Fazer tudo que tem vontade. E você realmente faz isso. Os primeiros drinks te motivam a continuar, e você começa a acreditar que está funcionando. De verdade, você julga até que vai durar muito mais que algumas horas, parece definitivo mesmo. A questão é que não é. E é onde tudo isso vira uma merda total. Você fica muito mal. Na saúde, na consciência, em tudo. Você começa a ficar mais ciente do que está fazendo e percebe o quão triste tudo isso é. Todos os beijos sem significado que você deu com qualquer estranho, todas as bebidas que você virou julgando ser algum tipo de cola pra grudar os pedacinhos do seu coração de volta no lugar. Nada disso é cura para o que você tem. Você começa a se sentir idiota por tudo que você fez, e ai você se lembra dele. E você percebe que não deu certo, ele continua na sua mente. Ele ainda está lá. E ai você se pergunta: "Onde será que ele está agora?". Ele vai estar em casa, ou saindo com os amigos, ou nos braços de outro alguém. Seja lá onde for, ele não está agindo feito um idiota como você. E é ai que o espelho aparece bem na sua frente, e você começa a se sentir um lixo. E ai você chora. Borra toda sua maquiagem. E aperta o seu peito pra o seu coração não acabar saindo de lá de algum jeito. Doi pra caralho, isso de esquecer alguém. E mesmo sabendo de tudo isso, de como é. De todas as fases, você nunca vai conseguir simplesmente pular nenhuma delas. Não vai. Você vai fazer coisas ridiculas mesmo. E vai se sentir ridicula, e é assim mesmo. Mas passa. Esse clichê de que tudo passa, ele é verdade. Dizem que o tempo é a cura para tudo. Eu não acho que o tempo seja a cura para isso, ele ajuda, sim. Mas em outros sentidos. Seu coração não se reconstroi a medida que o tempo passa, ele se cura com as consequências desse tempo passando. Você conhece outras pessoas, passa por outras situações, outros problemas, outros amores, e ele acaba se ofuscando no meio de tudo isso. Mas quer saber de uma coisa? Se tem uma coisa que eu aprendi na vida, é que um homem só sai completamente da sua vida, quando outro entra.
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